Renovar a Vida

Walter Benjamim, filosofo judeu alemão, que morreu em 1940, em virtude da perseguição nazista, escreveu certa vez em uma de suas obras mais belas: Rua de Mão Única: “Se como fez uma vez Hillel com a doutrina judaica, se tivesse de enunciar a doutrina dos antigos em toda concisão, em pé sobre uma perna, a sentença teria de dizer: A Terra pertencerá unicamente aos que viverem das forças do cosmos.’” Segundo ele, os homens modernos têm perdido a muito sua capacidade de viver e celebrar as forças do cosmos. Seu distanciamento da natureza, em virtude da matematização da vida e em virtude do encantamento que a tecnologia, esse fetiche, que criou uma “segunda natureza” virtual e simulada, tem levado os homens de nossa época a tornarem-se cada dia mais incapazes de perceberem a dimensão cósmica que tem sua vida. Essa incapacidade manifesta-se, por exemplo, na substituição do tempo cósmico, que é o tempo da natureza, o tempo do corpo e o tempo da vida. Por um outro tempo morto e linear dos relógios e do cotidiano. O tempo cósmico é o tempo da renovação; o tempo morto por outro lado, é o tempo do estresse e da permanente busca pelo segundo que escoa e não volta. O tempo morto é o tempo da máxima de nossa civilização: “Time is money”. O tempo cósmico, por outro lado, é o tempo da contemplação e da criação.

Em “Architecture of Time”, artigo escrito por Heschel em 1952, esse importante pensador afirma, concordando com Benjamin, que a civilização técnica é a conquista do espaço pelo homem moderno, conquista essa que se por um lado, levou-o a ter um maior controle das forças da natureza, por outro, produziu na maioria de nós um pavor com relação ao tempo, que teima ainda, em estar além de nosso controle. Diz Heschel, que o espaço e as coisas espaciais nós podemos possuir, mas o tempo não pode ser possuído apenas vivenciado. O tempo, aqui tratamos do tempo cósmico, é sempre maior do que nós, e por isso, nos fascina ou nos apavora. O ser humano é, porém um ser de tempo e espaço e não se pode viver apenas um desses aspectos da realidade esquecendo-se do outro.

Segundo Heschel o judaísmo é a religião que santifica o tempo, pois a Bíblia e os rabinos no Talmud ensinam, que as coisas e os lugares não são sagrados em si mesmos, mas Deus santificou o tempo, santificando, por exemplo, o shabat. Heschel escreve: “A criação é a linguagem de Deus, o tempo é sua música, e as coisas espaciais consoantes nessa canção. Santificar o tempo é por as vogais nessa canção em uníssono com Ele”. Santificar o tempo é saber celebrar seus ciclos, que são também os ciclos de nossa existência neste mundo.

Estamos prestes a experimentar a fim e o reinicio de mais um ciclo. Rosh Hashaná, Yom Kipur e todos os Yamim Noraim, são marcos importantes nesta passagem de um ciclo para o outro. Neste sentido, Rosh Hashaná, o “aniversário do Universo”, é um momento muito importante para harmonizarmo-nos com o tempo cósmico. Essa harmonia almejada não é outra coisa, senão a possibilidade de que cada um de nós possa amadurecer. Notemos isso não é simplesmente envelhecer, é antes poder tornar-se mais pleno e mais consciente. Amadurecer nesse sentido é poder fazer um balanço de si mesmo, jogar fora cargas desnecessárias, e tornar-se mais leve, renovar-se.

O mês de Elul, que está para começar, é um ótimo momento no processo de preparação para as Grandes Festas que virão. O shofar é tocado, nesse mês, após cada serviço matutino. Uma crença tradicional é que Moshé instruiu os israelitas no deserto a fazerem isso durante todo o mês de Elul para que eles se lembrassem do pecado do bezerro de ouro que eles cometeram enquanto Moshé estava no alto do monte Sinai recebendo as segundas tábuas. O shofar é também, segundo a mística judaica, um instrumento que tocamos para “acordar” nossa alma dormente. Acordar a alma é o primeiro passo para a auto-renovação da vida.

Le Shaná Tová Tikatevu ve-TekhatemWalter Benjamim, filosofo judeu alemão, que morreu em 1940, em virtude da perseguição nazista, escreveu certa vez em uma de suas obras mais belas: Rua de Mão Única: “Se como fez uma vez Hillel com a doutrina judaica, se tivesse de enunciar a doutrina dos antigos em toda concisão, em pé sobre uma perna, a sentença teria de dizer: A Terra pertencerá unicamente aos que viverem das forças do cosmos.’” Segundo ele, os homens modernos têm perdido a muito sua capacidade de viver e celebrar as forças do cosmos. Seu distanciamento da natureza, em virtude da matematização da vida e em virtude do encantamento que a tecnologia, esse fetiche, que criou uma “segunda natureza” virtual e simulada, tem levado os homens de nossa época a tornarem-se cada dia mais incapazes de perceberem a dimensão cósmica que tem sua vida. Essa incapacidade manifesta-se, por exemplo, na substituição do tempo cósmico, que é o tempo da natureza, o tempo do corpo e o tempo da vida. Por um outro tempo morto e linear dos relógios e do cotidiano. O tempo cósmico é o tempo da renovação; o tempo morto por outro lado, é o tempo do estresse e da permanente busca pelo segundo que escoa e não volta. O tempo morto é o tempo da máxima de nossa civilização: “Time is money”. O tempo cósmico, por outro lado, é o tempo da contemplação e da criação.

Em “Architecture of Time”, artigo escrito por Heschel em 1952, esse importante pensador afirma, concordando com Benjamin, que a civilização técnica é a conquista do espaço pelo homem moderno, conquista essa que se por um lado, levou-o a ter um maior controle das forças da natureza, por outro, produziu na maioria de nós um pavor com relação ao tempo, que teima ainda, em estar além de nosso controle. Diz Heschel, que o espaço e as coisas espaciais nós podemos possuir, mas o tempo não pode ser possuído apenas vivenciado. O tempo, aqui tratamos do tempo cósmico, é sempre maior do que nós, e por isso, nos fascina ou nos apavora. O ser humano é, porém um ser de tempo e espaço e não se pode viver apenas um desses aspectos da realidade esquecendo-se do outro.

Segundo Heschel o judaísmo é a religião que santifica o tempo, pois a Bíblia e os rabinos no Talmud ensinam, que as coisas e os lugares não são sagrados em si mesmos, mas Deus santificou o tempo, santificando, por exemplo, o shabat. Heschel escreve: “A criação é a linguagem de Deus, o tempo é sua música, e as coisas espaciais consoantes nessa canção. Santificar o tempo é por as vogais nessa canção em uníssono com Ele”. Santificar o tempo é saber celebrar seus ciclos, que são também os ciclos de nossa existência neste mundo.

Estamos prestes a experimentar a fim e o reinicio de mais um ciclo. Rosh Hashaná, Yom Kipur e todos os Yamim Noraim, são marcos importantes nesta passagem de um ciclo para o outro. Neste sentido, Rosh Hashaná, o “aniversário do Universo”, é um momento muito importante para harmonizarmo-nos com o tempo cósmico. Essa harmonia almejada não é outra coisa, senão a possibilidade de que cada um de nós possa amadurecer. Notemos isso não é simplesmente envelhecer, é antes poder tornar-se mais pleno e mais consciente. Amadurecer nesse sentido é poder fazer um balanço de si mesmo, jogar fora cargas desnecessárias, e tornar-se mais leve, renovar-se.

O mês de Elul, que está para começar, é um ótimo momento no processo de preparação para as Grandes Festas que virão. O shofar é tocado, nesse mês, após cada serviço matutino. Uma crença tradicional é que Moshé instruiu os israelitas no deserto a fazerem isso durante todo o mês de Elul para que eles se lembrassem do pecado do bezerro de ouro que eles cometeram enquanto Moshé estava no alto do monte Sinai recebendo as segundas tábuas. O shofar é também, segundo a mística judaica, um instrumento que tocamos para “acordar” nossa alma dormente. Acordar a alma é o primeiro passo para a auto-renovação da vida.


LeShaná Tová Tikatevu veTekhatemu.


Rabino Alexandre Leone

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